Uma prática absurdamente polêmica atualmente, graças a grande “fragilidade emocional” da sociedade contemporânea. O ato de sacrificar animais é uma tradição antiga em incontáveis povos, sendo os mais famosos os sacrifícios realizados pelos indígenas da América pré-colombiana que ofereciam a seus deuses nada mais que pessoas. Esta prática era tão sagrada que ser morto em nome de um deus era considerado uma honra.

O próprio YHWH, o atual deus cristão exigia constantes sacrifícios de seus súditos, que eram realizados em forma de sacrifícios de sangue, onde o animal era degolado e o sangue oferecido, ou então como holocausto, onde o animal era primeiramente sangrado e o cadáver sem sangue colocado sobre um altar e oferecido em “holocausto”, ou seja, queimado e a fumaça oferecida a Deus.  Esta prática é incentivada em toda a bíblia, encerrando-se somente com o sacrifício final de cristo. Ainda assim, atualmente este sacrifício é relembrado através da transfiguração do pão e vinho em corpo, devidamente devorado para habitar em seus seguidores. Um simbolismo macabro, incompreendido por 99% dos cristãos que condenam as práticas dos cultos afros.

Aliás, estes são os mais mau compreendidos e acusados em vão atualmente. Os praticantes dos cultos afros. Apedrejados e ofendidos constantemente não apenas por cristãos (especificamente por evangélicos), mas até por Ateus ou qualquer vegetariano extremista que não use o cérebro de forma consciente.

Confunde-se tortura de animais com sacrifícios. Confunde-se a morte desnecessária com um abate necessário, onde o animal é, normalmente, consumido pelos filhos da casa e as partes que normalmente são levadas ao lixo, como as penas, ossos e miúdos utilizadas em rituais. Nada diferente da prática da carne Kosher pelos judeus, que também sofre um abate e corte especial e religioso. No entanto enquanto a carne Kosher é vendida até mesmo em açougues especiais, os sacrifícios animais dos cultos africanos (entenda-se, Vodoo,Candomblé, Kimbanda, Umbanda, etc.) são condenados pelos “ativistas de facebook” e extremistas religiosos que ignoram totalmente as relevâncias religiosas e ocultistas envolvidas.

A grande maioria dos evangélicos utiliza-se do pretexto dos sacrifícios para aumentar a própria fama de “religião que combate o mal”, sem ter a mínima noção do que isso representa, e menos compreensão ainda pelo sacríficio feito pelo próprio personagem que adoram e seguem cegamente como o “rebanho” que são. Mas recentemente recebi ataques de alguns vegetarianos extremistas, que me ofenderam de diversas formas pelo mero fato de eu comer carne, mas que não se preocupam nem com os filhotes da própria espécie. Coisa de ativistas de facebook sem mais o que fazer, mas um problema que está tomando proporções ameaçadoras.

Este “coitadismo” social patético passou a influir também na política. E a política passou a interferir na liberdade religiosa, chegando a cúmulos absurdos como este:

http://www.deldebbio.com.br/2012/06/01/candomble-e-proibido-em-piracicaba/

Ou até mesmo agressões físicas e verbais aos praticantes. Claro, uma hipocrisia tamanha pela falta de conhecimento. Afinal, a carne utilizada nas cerimônias e consumida pelos praticantes – enquanto o sangue é utilizado pelas entidades, é talvez até superior aos churrascos realizados nos fins de semana pelos mesmos políticos que assinaram tal proibição e pelos mesmos que atacam essas religiões ancestrais e mais antigas que este coitadismo social maldito.

Além das questões energéticas (algumas entidades necessitam da energia de Morte, ou do Sangue representando a Vida) temos a questão da divisão da carne entre os irmãos, os filhos da casa. Algo semelhante a comunhão católica. É algo que não pode ser retirado, pois não existe religião sem sacrifício. Não é uma vazão a um impulso sádico, mas algo dentro do contexto de uma tradição. Retire a cultura e as tradições humanas, e nos tornaremos esse bando de fracassados para onde a humanidade caminha. Sem crenças, sem ideais, sem cultura além de sexo e violência incoerente. Sem uma grande depressão ou uma grande batalha para lutar. Um bando de inúteis cuja maior vitória é coagir os outros a se tornarem semelhantes em sua desgraça.

Animais devem sempre ser bem tratados independente de qualquer coisa. Mas é parte natural da vida a presença da Morte, até mesmo para nos lembrar que um dia encontraremos nosso lugar nessa cadeia. O homem sempre foi parte da cadeia alimentar, apenas se esqueceu disso por se trancar em cidades. Não condeno o vegetarianismo, mas condeno a estupidez de dizer que é “anti-natural” uma prática feita por inúmeras espécies de animais – e também intrínseca ao homem. Não podemos ter pena do cordeiro comido pelo Lobo. É apenas o caos agindo no Universo. Os vegetarianos utilizam com frequencia o argumento de que “os animais são como os humanos”, esquecendo-se que em tempos sem lei, os humanos são animais e em tempos de necessidade os humanos se tornam igualmente comida.

Em algumas práticas, fora das linhagens africanas é possível substituir o sacrifício por algo metafórico como ocorreu no catolicismo. É possivel até, em alguns casos específicos, oferecer o próprio sangue e a própria Dor. No entanto, eu, especificamente gosto de manter algumas tradições. Nunca me envergonharei disso. Honro a meus antepassados.

Encerrarei aqui. Outra hora, talvez eu comente algumas palavras acerca de sacrifícios humanos, tentando contextualizar esta prática antiga que ocorre ainda nos dias atuais dentro de algumas tribos indígenas e alguns povos.